Não é praga. É plantio.
Começou pequeno, como toda ruína começa. Em Lorencia, as aranhas abandonaram o cemitério e desceram para a cidade — e o velho Guarda, vinte anos de patrulha, percebeu o que ninguém quis ver: elas não estavam atacando. Estavam fugindo. Dias depois, os mortos se levantaram das covas... marchando em formação, como soldados que obedecem a um tambor que só eles escutam.
Na mesma época, do outro lado da estrada, a Anciã de Noria sentiu a floresta adoecer. A seiva das árvores escureceu, os goblins — sempre arredios, nunca cruéis — passaram a atacar em bando, todos carregando o mesmo amuleto rachado no pescoço. E os Stone Golems, adormecidos desde antes dos avós dos avós, despertaram com o peito pulsando uma luz doentia.
Duas investigações, uma só resposta: enterrado fundo em cada região havia um núcleo de caos — pequeno, escuro e faminto — plantado ali de propósito. Onde uma dessas sementes cresce, a natureza apodrece e os mortos e as feras viram exército. Quem planta uma semente assim, colhe guerra.
O culto
A terceira semente foi encontrada em Devias, sob o lago congelado — que derretia por baixo, no coração do inverno. Dessa vez havia mãos humanas no serviço: homens organizados, cavando o gelo em turnos, carregando sigilos com a mesma runa rachada. Não eram bandidos, e não estavam loucos como os goblins. Homens não enlouquecem assim. Homens obedecem.
Os três núcleos arrancados do chão repousam hoje no templo de Devias, sob a guarda de Sebina, a Sacerdotisa — que reconheceu os sigilos, empalideceu, e desde então guarda também um segredo: o nome de quem os núcleos servem. "Esse nome pesa demais para ouvidos de agora", é tudo o que ela diz.
Para que servem as sementes
A resposta veio do alto da Lost Tower, onde um velho mago recluso trava, há décadas, uma guerra que o continente nunca soube que existia: no topo da torre há um selo antigo — e criaturas decididas a rompê-lo. Quando os Balrogs quase conseguiram, foi um aventureiro quem os deteve, e o mago refez o selo por mais uma era.
Foi ele quem juntou as peças: as sementes não são armas. São cunhas. Alguém as planta para rachar, um a um, os selos que mantêm presa uma coisa mais velha que os reinos. Há outros selos no mundo. E alguém tem pressa.
O Semeador
Nas profundezas de Atlans, a Vidente das Marés viu a imagem que faltava: um homem que caminha plantando. Onde ele pisa, o fundo do mar apodrece. Ninguém viu seu rosto — mas as marés mostraram para onde ele olha: o fogo do deserto.
Em Tarkan, a profecia se confirmou em aço: uma legião que não sangra marcha pelas ruínas, com soldas novas e a runa rachada gravada no metal. O deserto não cria aquele exército — ele o fabrica. E acima da forja, um tenente que sempre retorna: Zaikan, reposto a cada semana como quem repõe um oficial na linha de frente. Fera morre. Zaikan é reabastecido.
O nome que não se diz
Todo tributo dourado que marcha nas invasões, toda névoa de arauto, todo espectro que cruza os céus de Icarus serve ao mesmo dono — o nome que Sebina só revela a quem provou seu valor diante dos deuses. Os que evoluíram já o ouviram no templo de Devias. Os demais vão ouvi-lo quando estiverem prontos.
O que se sabe é isto: ele não pode ser morto — apenas adiado. Cada selo refeito, cada semente arrancada, cada invasão repelida compra ao continente mais uma era de tempo. É por isso que a guerra nunca acaba... e é por isso que o continente precisa de você.
Onde viver essa história
- A campanha se conta pelas missões (painel de quests, tecla
J): comece pelo Guarda de Lorencia ou pela Anciã de Noria e siga as revelações, região por região, até o deserto e além. - Ao longo do caminho, páginas do Diário do Culto caem nas suas mãos — a voz de um cultista, página a página, cada vez menos humana. Botão direito abre a leitura.
- As invasões que tomam o mundo a cada poucas horas são a mesma guerra em tempo real — preste atenção nos avisos que chegam pelo chat.
- Para quem alcança a evolução, a Sacerdotisa cumpre a promessa num rito anunciado ao servidor inteiro — e a campanha culmina onde tudo espera: diante da porta de Kalima, no rito que refaz o selo. O Semeador escapou com um fragmento da Mãe... a caçada continua na próxima temporada.